- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH-ÍÍÍÍÍÍÍ´´IÍÍÍÍÍ´´IIÍÍÍ´´IÍ´´ÍIÍÍ
-Empurra!
-ELE NÃO SAI DOUTOR NÃO SAI! ESSE MENINO NÃO QUER SAIR!!!
A técnica de enfermagem e o médico trocaram olhares: "Deus, por que no meu plantão?". O médico, batendo na seringa: Olha a epidural quentinha! Relance, a grávida vê a agulha, dentro faz um "plim!" e AAAAIIII tudo de novo. A técnica tenta se aproximar da impaciente e fala "calma...": a mãe grunhe tal qual o Taz-Mania e tenta morder a pobre profissional indefesa. E o salario, ó!
12 horas... 12 H O R A S! E a epidural nada! Seria melhor terem me dado aspirina! Se fosse pra ser assim, melhor ter tido com a parteira em casa. Mas eu mato aquele muquirana desgraçado! Me deixa de barriga cheia e depois não tem coragem de pagar uma cesária? A A A I I I! Se essa criança não sair agora, eu juro que costuro o pau do pai pra dentro da barriga, arranco os olhos e enfio no cu! NO CU!
Ela se levanta apoiando na cama obstétrica, solta um uivo tão alto que acorda um velho tetraplégico dado como morto, que arranca tubos, fios, aparelhos, fendas e trecos e sai dando piruetas olímpicas que desclassificam Daiane dos Santos da seleção brasileira.
O médico: Eu vou buscar o fórceps! E some pela porta, deixando para trás o som dos passos curtos amedrontados e as rachas que povoam o recinto. A técnica olha pra enfermeira, que pronto se vira anotando numa prancheta: "Ah, sim, muito importante, muito importante!" Ela revira os olhos. Nesse meio tempo a grávida andava em passos tão largos - acompanhados de sons guturais - que não fosse a técnica lhe parar o trote teria apanhado o médico.
- O QUE QUE FOI?
- Volta pra cama ou essa criança vai cair no chão!
- O que?! Cair?! DEIXA QUE CAIA! Ele não quer sair, ele não vai sair! A culpa é do filha da puta do pai dele! AAAAIII
- E pai pra que serve? Você por acaso saiu do cu do seu pai?
- EU SAÍ DO SEU
Esta enfermaria t e s t a os meus limites!
- Para de gritar! Na hora de fazer tava bom!
-Tava! E sua mãe não tava lá!
A enfermeira e aproxima apaziguando; entra o médico triunfal sorrindo, erguendo o fórceps: "Cheguei!" como quem carrega a Copa do Mundo inundada de euros; outra técnica no fundo, ágil, assopra a zarabatana e VUM - direto no lombo da égua, que relincha ainda uma última vez antes de cair nos braços dos competentes do hospital e ser colocada na cama, ressonando, suavemente, o botão de uma flor nascida na manjedoura e ladeada por 3 reis-magos benevolentes.
Cada um dos magos, incluindo a técnica que não saiu do cu do meu pai, segurava as pernas da santa enquanto o médico sentado de frente enfiou os dedos para checar dilatação e fez "ui!ui!ui!ui!ui!" tirando a mão e constatando os dedos mordidos. Diagnosticou: "É uma fera". Segurou o fórceps com a segurança quase-imortal de Aquiles e meteu o ferro nas entranhas do útero, pinçou a coco da criança e puxou, suando, fazendo todo tipo de caretas e sons guturais piores que a pobre mãe dopada.
- Me ajudem!
- Claro, doutor! - a enfermeira o puxa pelas costas, grunhindo e dobrando o rosto - Vocês não vão ajudar?!
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