éramos quatro: e entre nós, um ator. os três seguíamos criando e ele - representava. éramos sol, rainha de paus e o louco. ele: baralho todo.
é bonito ver o ator chorar. e se lhe machuco: é para ver crescer a atuação, afinal, se tornar algo traz conforto que é o oposto, o oposto...
enquanto criávamos, chegou o ator de pouco jeito e muitos modos, falando alto. pronto para: chicotear todos que não se curvassem. à sua atuação. à sua voz elevada. ao seu medo enterrado e vingativo.
mas desconhecia o ator a habilidade de quebrar o chicote ao simplesmente aguentar a chicotada. íamos ensiná-lo: a desfazer a arma.
eu queria que o ator nunca acordasse. os outros dois o queriam no mundo: nos tempos que vivemos, apenas o cômico pode superar o trágico e a subversão nasce da própria existência, da experiência. meu ator no mundo : eu te criei...
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